sábado, 25 de fevereiro de 2012

Viagem Musical: Scarborough Fair

Scarborough Fair é uma tradicional canção inglesa de autor desconhecido. Seu nome faz referência à feira de Scarborough, um dos maiores pontos comerciais da Inglaterra na época medieval. Só para se ter uma ideia, a feira começava no meio de agosto, durava nada mais, nada menos que 45 dias e atraía vendedores de diversos locais além de artistas.

A versão mais conhecida dentre todas é a de Paul Simon e Art Garfunkel. Depois da dupla, ela foi regravada por diversos cantores e bandas como Celtic Woman, Gregorian e Sarah Brightman, só para citar os mais conhecidos no cenário musical internacional.

Hoje você vai conhecer um pouco da história e do significado da canção em um texto Jean Boechat publicado neste link. Mas antes confira um vídeo com a versão da dupla Simon e Garfunkel:


Scarborough Fair é uma canção folk medieval inglesa. Seu nome se refere à uma feira tradicional que ocorria em meados de agosto na pacata cidade de Scarborough, localizada em North Yorkshire no noroeste da Inglaterra. A cidade foi fundada há mais de mil anos, por Skartha, um viking que se estabeleceu na região e batizada com o nome de Skarthaborg.

Vista aérea do castelo de Scarborough (autor desconhecido)
De autor desconhecido, a canção surgiu numa época em que o porto de Scarborough era uma importante via de comércio inglesa. Ela era cantada pelos bardos que iam de cidade em cidade, mudando a letra e o arranjo. Por isso, hoje existem dezenas de versões de letras. A versão mais fiel ao original compreende mais versos do que os que são cantados normalmente. Paul Simon aprendeu a canção com Martin Carthy, um famoso cantor folk inglês. Apesar de usar um arranjo parecido, Paul Simon nunca mencionou Carthy nos créditos em seus álbuns.


Aqui a letra mais fiel:


Are you going to Scarborough Fair?
Parsley, sage, rosemary and thyme
Remember me to one who lives there
For once she was a true love of mine


Have her make me a cambric shirt
Parsley, sage, rosemary and thyme
Without no seam nor fine needle work
And then she'll be a true love of mine


Tell her to weave it in a sycamore wood lane
Parsley, sage, rosemary and thyme
And gather it all with a basket of flowers
And then she'll be a true love of mine


Have her wash it in yonder dry well
Parsley, sage, rosemary and thyme
where water ne'er sprung nor drop of rain fell
And then she'll be a true love of mine


Have her find me an acre of land
Parsley, sage, rosemary and thyme
Between the sea foam and over the sand
And then she'll be a true love of mine


Plow the land with the horn of a lamb
Parsley, sage, rosemary and thyme
Then sow some seeds from north of the dam
And then she'll be a true love of mine


Tell her to reap it with a sickle of leather
Parsley, sage, rosemary and thyme
And gather it all in a bunch of heather
And then she'll be a true love of mine


If she tells me she can't, I'll reply
Parsley, sage, rosemary and thyme
Let me know that at least she will try
And then she'll be a true love of mine


Love imposes impossible tasks
Parsley, sage, rosemary and thyme
Though not more than any heart asks
And I must know she's a true love of mine


Dear, when thou has finished thy task
Parsley, sage, rosemary and thyme
Come to me, my hand for to ask
For thou then art a true love of mine


Como os trovadores medievais, a letra fala do amor de um homem que foi abandonado por uma mulher. O típico amor medieval. O cantor fala de tarefas impossíveis para tentar explicá-la que o amor, às vezes, requer que se façam coisas que aparentemente são impossíveis para ser verdadeiro.


Para os curiosos, parsley, sage, rosemary e thyme são ervas que tinham grande significado no mundo medieval. Na música, elas simbolizam as virtudes que o bardo espera do seu amor verdadeiro e de si mesmo, para que tornem possível a volta dela para seus braços.


A saber:


Parsley (salsa): é uma erva muito usada contra má-digestão. Para os medievais, ela levava embora a amargura e trazia a paz de espírito.


Sage (sálvia): simboliza a força por mil anos.


Rosemary (alecrim): representa a fidelidade e o amor. Os amantes gregos davam ramos de rosemary para suas amadas. Até hoje, em diversos cantos da Europa, as noivas costumam usar ramos de rosemary em seu cabelo. Ela também está ligada a sensibilidade e a prudência e está diretamente associada ao amor feminino, porque é muito forte e resistente, embora cresça lentamente.


Thyme (tomilho): simboliza a coragem. Na época em que a música foi escrita, os cavaleiros medievais usava imagens de thyme nos seus escudos, bordados por suas esposas como símbolo de sua coragem.


A citação das mesmas na canção é bem clara. O amante decepcionado deseja que seu verdadeiro amor acabe suavemente com a amargura que existe entre os amantes, tenha força ser firme no momento em que eles estão separados, fiel durante o período de solidão e, paradoxialmente, coragem para ela cumprir as tarefas impossíveis e voltar para ele quando puder."

Fico por aqui e a gente se vê no próximo post. Enquanto isso estou no Twitter: @JonatasMobile. Tchau!

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