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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Revolução Virtual: redes sociais saem na frente em coberturas jornalísticas

Há muito tempo comenta-se nas rodas e debates de especialistas em comunicação sobre o poder dos blogs e das chamadas mídias sociais, como o Twitter. Ontem pudemos perceber a influência dessas mídias digitais: a notícia da morte do comediante Arnaud Rodrigues, vítima de um acidente de barco em um lago de Tocantins, surgiu primeiro no Twitter, caminhou para os blogs e por fim, cerca de 2 horas depois, foi publicada nos grande portais como UOL, Terra e G1.

Não vou desenvolver aqui no blog a teoria de que os blogs vão engolir os portais, mas de fato os blogs se mostram muito mais ágeis para cobrir e os motivos são vários. O principal fator que possibilita a agilidade dos blogs é a questão da estrutura. Para publicar uma matéria, um veículo tradicional de mídia (jornal impresso, virtual, portal, etc.) vai atrás de um repórter, muitas vezes freelancer, que por sua vez vai apurar em campo. Depois disso ele volta para seu escritório, escreve a matéria, manda para o editor, que vai ler, arrumar e por fim publicar.

Nesse meio tempo, um blogueiro lê na Internet (até mesmo na sua rede social), publica no blog e relaciona quem apurou no corpo da postagem. Isso é necessário pois o autor mostra que ele publicou porque uma outra pessoa afirmou que o fato ocorreu. É necessário um feeling jornalístico para isso e coragem: afinal dar a cara para bater pode significar o fim de uma carreira caso a notícia publicada seja falsa. Mas nada que um pedido de desculpas possa resolver.

O autor do blog pode apurar também caso tenha fontes. Mas ele não tem um superior que vai ter que analisar a postagem para ver se ela está dentro da política editorial. Ele é dono do espaço e responde por tudo relacionado a ele. Além disso, geralmente ele está na frente de um computador e muitas vezes apura enquanto edita editando a matéria diretamente na página.

Um outro fator que conta é que a estrutura do texto é diferente. Para os portais, é necessário fazer um texto seguindo todos os conceitos do texto jornalístico com lead, o que, quem, quando e etc. O blog também deve seguir isso, mas a cada novo fato o blogueiro não precisa reescrever o texto todo ou publicar uma nova matéria. Ele pode usar a estrutura que foi usada nessa postagem do Mix Point.

Além disso, pesa a favor dos blogueiros o fato que eles estão em todos os lugares e isso torna os blogs mais ágeis. Mas isso não determina a morte da chamada mídia tradicional. Na verdade, complementa. Blogs podem ser feitos por qualquer pessoa, inclusive jornalistas. Por causa disso podem ser tendenciosos e repassar informações falsas, o que pesa e muito contra os blogueiros que querem fazer um trabalho sério.

Ainda existe na Internet a ideia de que um blogueiro repassa informação não apurada e, muitas vezes, mentirosas. Entretanto como explicar o caso do Arnaul Rodrigues, noticiado primeiro nos blogs e no twitter, e a famosa história do Michael Jackson que teve a sua morte anunciada primeiro em um blog que a partir de então serviu de fonte de informação para diversos portais no mundo todo?

Não dá para fechar os olhos para os blogs e o twitter e fazer de conta que eles não existem. A revolução da mídia social está aí, o Twitter cada vez tem mais usuários e os blogs crescem em número e muitos em qualidade. Inúmeros jornalistas tem blogs vinculados a grandes portais que por sua vez criam dentro de sua estrutura editorial um portal... de blogs! Mas como a possibilidade de achar informação é grande, resta ao leitor filtrar e eleger aqueles blogueiros que são dignos da sua confiança. Com essa atitude, os profissionais responsáveis ficam e os que querem apenas “estar na web” acabam desaparecendo. Até a próxima onda digital aparecer e eles ressurgirem.

Até o próximo post e, enquanto isso, estou no Twitter: @JonatasMobile. Tchau!


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