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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Blograma do Jonatas: Dois dias depois Campus Party 2010

Conversei com o blogueiro e twitteiro Micael Silva sobre a edição 2010 da Campus Party. Ele foi voluntário na Campus TV e falou um pouco sobre o evento, além de comentar sobre a organização. Confira como foi o nosso papo, dois dias depois do fim da Campus Party 2010:


Micael, o que você gostaria de destacar sobre a Campus Party 2010?

Acho que o convívio social e cultural que ele proporciona. Gente de todas as partes do país e até do mundo que dividem durante uma semana a mesma moradia (a área de camping), a área de discussão (a arena) e até mesmo a hora das refeições. Nem todo mundo acaba aproveitando isso na totalidade, mas essa opção está aberta para quem souber aproveitar.


Muita gente diz que a Campus Party é um encontro de nerds. Até onde isso é verdade?

Pode ser, pode não ser, depende da definição de nerd. A Campus Party é um evento quase que obrigatório pra quem se interessa/trabalha com tecnologia ou novas mídias de comunicação, mas os interesses são muito diversos. Alguns querem discutir as leis sobre a internet, outros querem discutir a liberdade editorial dos blogs, outros vem aproveitar o evento para chamar atenção para causas ecológicas e sociais. A Campus Party é uma enorme babel, onde a tecnologia é apenas o laço que une tudo isso. Há aqueles que vão para pensar apenas em computação, parte técnica, desenvolvimento, mas tem também os que usam a internet e a computação como ferramentas e o mais interessante é que todos esses mundos diferentes convivem num espaço só durante uma semana, sem o menor preconceito.


Além disso, é uma oportunidade de se conhecer muitas pessoas que vivem escondidas atrás das "arrobas" do twitter e conhecer novas "arrobas" também. Como foi sua experiência nesse sentido?

De modo geral foi muito positiva. Eu posso dizer que saí de lá com amizades muito fortalecidas, de gente que eu até não falava muito, chegando ao ponto de contar problemas muito íntimos e trocar conselhos. Apesar de toda a simplicidade da estrutura, que alguns diriam até precária, é uma semana que passa muito rápido e deixa saudades.


Fale um pouco sobre essa experiência na Campus TV.

O trabalho envolvia desde pessoas com experiência na área de vídeo até pessoas que nunca tiveram contato com isto, mas a diversidade do grupo ajuda bastante, caso alguém tenha alguma dúvida mesmo depois dos treinamentos, tinha a quem pedir auxílio. Sem falar da própria equipe que foi montada pela Campus Party, que é de uma produtora especializada em transmitir eventos pela internet. No final a sensação era muito boa, por saber que estávamos ajudando a desenvolver um evento como a Campus e que o nosso trabalho permitia levar o conhecimento gerado lá para as pessoas que não puderam estar ali ao vivo. Ao todo foram 240 mil acessos únicos além do pico de 30 mil acessos simultâneos. Até o momento, o maior tráfego de todas as campus party realizadas pelo mundo.


Você mudou a imagem que tinha da Campus Party depois que participou da edição 2010?

Não chegou a me mostrar um lado oposto do que eu imaginava, mas expandiu meu horizontes. Superou minhas expectativas no que se diz sobre a parte social.


Em que sentido foi essa expansão de horizontes?

Uma certa desmistificação de como ele é organizado e da interação entre pessoas. A mídia gosta de destacar somente a parte tecnológica do evento, mas desconhece o que acontece na rotina dele.


A mídia vende o evento como uma imensa feira tecnológica. Até que ponto isso pode ser verdade? Há alguma mentira contida nisso?

A Campus Party veio preencher uma grande lacuna que havia no Brasil em relação a eventos relacionados com tecnologia desde o fim da Fenasoft, mas muita coisa mudou daquele tempo pra cá. A informática deixou de ser uma área de conhecimento exclusivamente técnica, houve o crescimento da internet e o envolvimento social dentro dela. Por isso é banalização demais tratar o evento apenas como uma feira tecnológica.


Ficaram muitas expectativas após a Campus Party?

Espero melhoras na questão da organização para o ano que vem. Apesar da disponibilidade de alguns funcionários em resolver tudo que ficava pendente, circulando o tempo todo no evento, a organização falhou em vários pontos.


A organização foi mesmo muito criticada. Quais falhas você apontaria?

Nós voluntários tivemos a possibilidade de ajudar no evento e assim participar dele sem pagar nada. Esperamos que isso ocorra, para que o trabalho não fique mais pesado do que o necessário. Sentimos muita falta de comunicação em várias áreas, o que gerava perda de tempo e trabalho desnecessário em muitas horas.



Além da comunicação, outros problemas podem ser apontados?

Questões mais internas mesmo e que não é de bom grado comentar em público. Mas o que mais intrigou mesmo foi a promessa de uma conexão Wi-Fi no evento que no final de contas não existiu ou não funcionou.


Você disse que foi voluntário na Campus Party. Como foi essa experiência?

Os voluntários fazem parte de um publico ainda mais eclético que o que normalmente vai ao evento. Principalmente pelo fato de terem suas despesas pagas, gente de outros estados, estudantes, gente acima de 30 anos e até moradores de favelas acabam tornando a experiência ainda mais rica.



Você estará lá em 2011?

Se tudo permitir, com certeza. Como voluntario ou como campuseiro, tanto faz.


E para você leitor do Mix Point, até o próximo post e, enquanto isso, nós estamos no Twitter: @JonatasMobile@micaelsilva. Tchau!


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