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SOBRE O AUTOR


Clique aqui e saiba um pouco mais sobre mim: um estudante de jornalismo que quase virou administrador de redes, além de já ter tentado cantar, atuar e que hoje bloga, twitta e tem um milhão de ideias na cabeça.


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Entrevista: Jefferson Guedes - Eleições Americanas

Na entrevista de hoje, uma conversa imperdível com o jornalista Jefferson Guedes. Ele conversou comigo sobre as eleições americanas.

Jonatas: O mundo está em polvorosa por causa da eleição americana que vai mostrar quem será o sucessor de George W. Bush na Casa Branca. Por isso eu convidei para o Blograma do Jonatas de hoje o jornalista Jefferson Guedes, autor do blog http://www.casabranca-2008.blogspot.com/. Jefferson, seja bem vindo ao Blog do Jonatas!

Jefferson Guedes: Seja bem vindo você também, Jonatas!

Jonatas: Antes de partirmos para a nossa conversa sobre a sucessão presidencial americana eu quero saber de onde surgiu a idéia de fazer um blog sobre isso... Aliás, um blog quase em tempo real, parabéns!

Jefferson Guedes: Obrigado, Jonatas. A idéia de fazer o blog veio por dois motivos. Primeiro, a necessidade de me reinventar como profissional. Eu andava meio sem motivação, sabe? O outro motivo é minha paixão pela política americana.

Jonatas: Eu adoro política também, mas não acompanhava muito a americana. Mas com essa sucessão presidencial onde todo mundo está de olho vivo no andamento dela, eu resolvi prestar mais atenção.

Jefferson Guedes: Então, me diga como você chegou ao meu blog, que tipo de coisa te interessa?

Jonatas: Eu cheguei ao seu blog através do Google... Estava em busca de informações sobre as eleições americanas e então achei o blog de um português chamado Nuno Gouveia. E lá tinha um link para o seu.

Jefferson Guedes: Sou fã do Nuno Gouveia!

Jonatas: Vi o link, cliquei e então pensei: preciso conversar com ele para o meu blog! Afinal, ando entrevistando tanta gente interessante, mas ainda não tinha achado ninguém para falar sobre política. Então aproveitei e te convidei.

Jefferson Guedes: Bacana. Você se posiciona em relação à sucessão americana, ou tem um olhar distanciado?

Jonatas: Não me posiciono. Eu tenho um olhar distanciado, como você diz. Apenas observo. Em política eu faço muito isso... Brinco que sou sempre da oposição. (risos) Mas vamos à pergunta mais crucial de todas quando falamos em eleições americanas: como funciona exatamente o processo eleitoral por lá? Ele é bastante diferente do brasileiro, não é? Eu li bastante coisa, mas ainda não consegui entender.

Jefferson Guedes: Há muitas diferenças. A primeira delas é na escolha dos candidatos. Os partidos americanos fazem prévias em todos os estados para escolherem seus candidatos à presidência. Isso aumenta o debate e dá uma perspectiva mais regional à disputa.

Jonatas: E depois? Tem como você fazer um resumo de como é o processo todo?

Jefferson Guedes: Bem, escolhidos os candidatos dos partidos (os dois principais, o democrata e o republicano), começa a grande batalha pela eleição principal. Mas a maluquice maior é que a eleição presidencial é semi-direta. Vou tentar explicar. Um candidato é o mais votado no estado da Califórnia. Ele conquista, então, os delegados que a Califórnia tem no colégio eleitoral americano. O candidato que conquistar o maior número de delegados ganha a disputa. Ah, sim, o número de delegados nos Estados é proporcional à população. A Califórnia, o maior estado, tem a maior delegação, entendeu?

Jonatas: E qual o papel desses delegados? A população então só vota nas prévias, é isso?

Jefferson Guedes: A população vota nas prévias e depois vota na eleição principal. Os delegados referendam o voto popular. Depois que ocorre o pleito, em novembro, esses delegados se reúnem em sessão solene. É uma reunião pró-forma, porque já se sabe quantos delegados cada candidato conquistou nos estados. Está dando pra entender ou está um pouco enrolado, Jonatas?

Jonatas: Confesso que é um método meio confuso para nós brasileiros, acostumados com a eleição direta.

Jefferson Guedes: Vamos fazer um comparativo e eu vou tentar explicar melhor. Imagina o Lula e o Alckmin. O Lula na última eleição venceu no Rio e o Alckmin em São Paulo, certo? No nosso caso, somamos os votos do Lula no Rio e em São Paulo e comparamos com os votos que Alckmin teve nos dois estados, correto? Nos EUA é diferente. Lá, o sujeito que teve mais votos do povo converte esse votos em um número de delegados. Assim, trazendo de novo para a realidade brasileira, Lula levaria só os delegados do Rio, onde ganhou, e Alckmin só os delegados de São Paulo. E não importa a margem. Se Lula venceu no Rio por um voto de vantagem, ele levaria, por esse sistema, todos os delegados do estado. Entendeu? É complicado mesmo. Nem os americanos entendem direito o sistema. Veja o que aconteceu na primeira eleição do Bush: ele ganhou a Flórida com uma margem de votos mínima. Como a disputa pelos delegados estava pau a pau, ele venceu, mesmo que Al Gore tenha tido mais votos no país todo.

Jonatas: Sim... Agora, no fim das contas, ficam apenas um candidato democrata e um republicano, certo? Afinal os EUA são adeptos do bipartidarismo.

Jefferson Guedes: É, são sempre dois candidatos. Mas às vezes aparece um candidato independente com alguma força. Em 2000, Ralph Nader, do partido verde, complicou a vida de Al Gore, o candidato de Bill Clinton.

Jonatas: Bem, mas esse método não é um tanto injusto pois, de certa forma, não representa a real vontade da população, não é?

Jefferson Guedes: Ele é injusto, Jonatas, quando a disputa é muito apertada. Do contrário, ele funciona bem.

Jonatas: Bem, entendido o processo, vamos falar da famosa super-terça americana. Como você analisa o resultado dela?

Jefferson Guedes: Do lado democrata, Obama está cada vez mais perto de se tornar o candidato do partido. Há dois meses, ele era apenas um candidato promissor. Agora, Hillary está apavorada. Do lado republicano, John McCain já é o virtual candidato do partido.

Jonatas: Aliás, do lado republicano a disputa não está tão acirrada assim, está?

Jefferson Guedes: É verdade, Jonatas. Todo mundo achava que o rolo seria entre os republicanos. Acabou acontecendo justamente o contrário.

Jonatas: Ou será que a mídia está dando mais enfoque ao embate Hillary-Obama por causa do marido da candidata, o ex-presidente Bill Clinton?

Jefferson Guedes: Isso contribui. Mas o fato é que os dois democratas são políticos de peso. Do outro lado, só tem John McCain e Giuliani que, aliás, já desistiu.

Jonatas: Você disse que todo mundo achava que o rolo seria entre os republicanos. Esse partido é, historicamente, mais... Digamos... Complicado nas decisões, mais moroso ou algo assim?

Jefferson Guedes: Não, eu disse que o rolo seria entre os republicanos porque se supunha que a disputa seria muito acirrada. No lado democrata, ao contrário, pensava-se que Hillary iria passear. Cansei de ver jornalista, no Brasil e lá fora, antecipar a vitória de Hillary um ano antes da eleição principal.

Jonatas: Ninguém acreditava na força de Obama e achava que Hillary, por causa do sobrenome Clinton, seria a próxima presidente...

Jefferson Guedes: É justamente isso, Jonatas. Sobrenome pesa, mas não ganha eleição.

Jonatas: Mas o Obama, como você mesmo disse, parecer ser o favorito, não é?

Jefferson Guedes: O Obama é o franco favorito, caso vença as prévias do seu partido. Mas existe algo importante a se considerar: essa avaliação só faz sentido se o partido marchar unido. Se os democratas saírem divididos da campanha interna, vão ficar mais frágeis na eleição decisiva, no enfrentamento com os republicanos.

Jonatas: Eu li em algum lugar que o partido pode formar uma chapa onde um candidato seria vice do outro, ou seja, se a Hillary ganhar seu vice seria Obama e vice-versa... Você acredita em algo assim?

Jefferson Guedes: É difícil dizer nesse momento, Jonatas. Em princípio, uma chapa Obama-Hillary ou Hillary-Obama seria imbatível. Mas tem o problema dos egos feridos. A disputa tem sido pesada (não faz muito tempo, o tiroteio verbal era intenso). Mas tudo pode acontecer.

Jonatas: Seria no mínimo uma chapa forte, com certeza... Bem, Jefferson. Vamos agora à segunda parte da nossa entrevista: eu pedi no Yahoo! Respostas que as pessoas fizessem perguntas para você e também consultei alguns amigos e leitores do Mix Point por e-mail. A maior parte das questões era sobre como funciona o processo americano e isso você explicou e fez uma comparação ótima! Agora, vamos ver as demais perguntas feitas! O internauta Joaotadeum pergunta: "O que vai mudar se o Obama ganhar? E se a Hillary Clinton ganhar?". Bem, eu acredito que ele queira saber qual a diferença de cada um desses dois candidatos frente ao atual presidente George W. Bush.

Jefferson Guedes: Bem, parece que Obama tem um plano mais objetivo para a retirada das tropas do Iraque. Só isso já faz uma diferença danada.

Jonatas: E a Hillary tem algum diferencial tão forte assim com relação ao Bush?

Jefferson Guedes: Tem. Ela vai tomar medidas consistentes para conter o aquecimento global e tem um plano para estender o seguro de saúde (health care) a todo cidadão americano.

Jonatas: Ok! A internauta Las quer saber qual candidato você prefere: Obama ou Hillary?

Jefferson Guedes: Obama, por causa das posições dele em relação ao Iraque.

Jonatas: PVitor quer saber: “Caso uma possível vitória de Hillary Clinton ocorra, a influência de seu marido de algum modo poderá intimidar a presidenta nas suas decisões? Seria um disfarce para um novo governo de Bill”?

Jefferson Guedes: Acho que não. Na verdade, acho que os dois sempre trabalharam como um time. Ela não foi uma simples primeira-dama e ele também não vai ser um mero acompanhante da futura presidente.

Jonatas: PVitor também quer saber: “Qual a melhor alternativa para os imigrantes ilegais?”. Acredito que ele quer saber entre Obama e Hillary, qual seria o melhor para esses imigrantes.

Jefferson Guedes: Acho que Hillary, apenas porque ela já trabalha no assunto há mais tempo.

Jonatas: O Pitbull pergunta: “Será que Obama vence as eleições”?

Jefferson Guedes: Se ele for o indicado dos democratas, acho difícil alguém segurá-lo.

Jonatas: Martha Cappy manda a seguinte questão: “Como o povo americano aceitará a idéia de ter o 1º Presidente Negro? Os americanos são conhecidos por seu segregacionismo. Não conheço povo mais desinteressado pelo mundo, como não acredito na "melange" [miscigenação] de raças que eles apresentam na mídia. O americano das cidades pequenas olha com descaso quem não é louro, de olhos azuis. Obama é mulçumano, é quase negro, se diz negro, diz que é a favor de latinos, da igualdade sócio econômica americana, mas não é verdade. Tenho medo que ele seja uma farsa”. E então, Jefferson?

Jefferson Guedes: Obama não é muçulmano. Nem o pai dele. Agora, veja o caso do estado de Iowa. É um estado conservador, com 95% de eleitores brancos. E Obama ganhou a prévia lá. Connecticut, estado que Hillary considerava vitória certa, por ter mais de 70% de brancos, também ficou com Obama. Ontem, por sinal, ele ganhou em 13 estados, a maioria com baixo percentual de eleitores negros.

Jonatas: Parece então que a questão racial não vai interferir muito.

Jefferson Guedes: Jonatas, eu não digo que a questão racial não vai interferir. Mas parece que Obama tem carisma suficiente pra transcender isso. Parece.

Jonatas: Sim, talvez o carisma dele vença essa barreira da cor. Mas eu acho que a internauta disse que ele é muçulmano por causa do nome que, mesmo que não queiramos, lembra e muito o do arquiinimigo americano... (risos)

Jefferson Guedes: Ah, sim, ele tem "Hussein" no sobrenome. Já rolou muita baixaria na campanha por conta disso (e ainda vai rolar).

Jonatas: Barack Obama Hussein. Só faltou o Bin Laden para ficar completo... (risos). Bem, piadas a parte... Aliás, será que o carisma dele não foi o fator principal que o fez crescer frente à Hillary, que sempre teve um ar de mais "frieza" diante do público?

Jefferson Guedes: Sim, o carisma influenciou. Mas ele tem algo a dizer. Isso é que importa.

Jonatas: Augusto manda uma pergunta tripla: “Apesar dos resultados destas primárias, estes votos são definitivos? A votação popular até que ponto influencia os votos já computados nas primárias? Cada estado tem um conceito particular para a distribuição destes votos”?

Jefferson Guedes: Excelente pergunta Augusto. Na maioria dos estados, os votos se traduzem em delegados. Exemplo: Hillary ganhou em Nova York com 57% dos votos e Obama teve 40%. Hillary vai levar 127 delegados de Nova York pra votar no nome dela e Obama 87. Em Nevada, o processo de escolha dos delegados passa por três fases, ou seja, pode haver mudanças do eleitorado de uma etapa para outra.

Jonatas: Adecialexandre pergunta: “Como fazer para o povo americano ser mais participativo nas eleições indiretas?” Só para situar quem está acompanhando essa entrevista, nos Estados Unidos, o voto não é obrigatório... Mas acho que uma política de conscientização resolveria o caso... Acho que fica difícil para nós analisarmos uma política nesse sentido pois é algo que depende e muito do patriotismo ou de uma obrigação, como é feito no Brasil... O que você acha, Jefferson?

Jefferson Guedes: Não sei se entendi a pergunta. Vou tentar responder. No que diz respeito à participação, o eleitorado democrata está bastante motivado. Nas prévias, o comparecimento do eleitor democrata vem batendo recordes, mesmo sem ser obrigatório o voto.

Jonatas: O Vilser manda a seguinte questão: "apesar de haver um grande sentimento de diferenciação, haveria realmente a hipótese do povo médio americano eleger Hillary ou Barack para presidente, uma vez que nas últimas duas eleições a direita elegeu Bush mais por questões morais do que econômicas"?

Jefferson Guedes: Sim, Vilser. Aliás, parece que o grande lance dessas eleições é que as questões mais morais, como a condenação ao aborto feita pelos republicanos, vai ser minimizada em função de outras questões do momento mais fortes, como a recessão, o Iraque o problema no sistema de saúde americano.

Jonatas: Vamos à próxima participação. Fernando Ramalho manda duas perguntas. A primeira: “Você tem conhecimento da política de acobertamento dos Estados Unidos, na questão das informações ufológicas?”

Jefferson Guedes: Muito superficialmente, Fernando. Eu acredito que exista muita informação oculta. O problema é que muita gente sai delirando na tentativa de decifrar essas informações.

Jonatas: A outra questão do Fernando Ramalho é: "O que você sabe sobre as posturas dos atuais presidenciáveis sobre o tema dos UFOs?"

Jefferson Guedes: Praticamente nada. Me lembro o quanto ridicularizam Dennis Kucinich, o candidato da esquerda democrata, porque ele disse que já viu OVNIs.

Jonatas: Nosso último internauta participante foi um tanto ácido no comentário, mas vamos deixar ele falar o que pensa pois meu blog é extremamente democrático...

Jefferson Guedes: Você está certo, Jonatas. Democracia é isso mesmo. Parabéns!

Jonatas: O Mr. Roberth diz: "Precisamos resolver os problemas do Brasil que são muitos. Nem vou perder meu tempo fazendo perguntas de um lugar que nem me interessa". Agora eu pergunto, Jefferson: porque você julga importante prestarmos atenção nas eleições americanas?

Jefferson Guedes: Porque essa eleição mexe com todo o planeta, nas mínimas coisas.

Jonatas: Afinal o presidente dos EUA é quase um presidente do mundo, falando de forma grosseira, não é mesmo?

Jefferson Guedes: De certa forma, sim. Justamente por ser "o presidente do mundo" é que fico torcendo para que seja eleito um presidente que saiba olhar para o mundo sem abusar da arrogância.

Jonatas: Ok, muito obrigado! Eu conversei com o jornalista Jefferson Guedes sobre as eleições americanas. Seja você o próximo entrevistado do Blograma do Jonatas: deixe um comentário com seu e-mail e aguarde contato. Até o próximo post!


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1 Comentários:

  1. Lucas disse...
     

    Oi Jonatas! Sou um leitor assíduo do seu blog. Mas às vezes eu não comento... vou passar a comentar mais. Essa sua entrevista com o Jefferson Guedes foi muito legal. Sou estudante de Economia e tenho um interesse especial sobre esse a sucessão americana. Parabéns pela entrevista e sucesso pra você e pro Jefferson.

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