Nesta semana o Jornal Nacional da Rede Globo entrevistou os principais candidatos à presidência. A candidata do PT à presidência Dilma Roussef foi entrevistada da segunda-feira, a candidata do PV Marina Silva na terça-feira e o candidato do PSDB José Serra na quarta. Na quinta, Plínio de Arruda Sampaio foi o entrevistado do telejornal, em uma espécie de
entrevista bônus, já que ele foi um dos grandes destaques do
debate da Band, se tornando por causa disso
um dos assuntos mais comentados no Twitter.
A proposta das entrevistas foi abordar os temas polêmicos das candidaturas além de confrontar os candidatos com suas realizações em cargos públicos.
Ao longo da semana, publiquei aqui no blog os vídeos das entrevistas e hoje coloco no ar uma análise das três. Vou seguir a ordem adotada pelo telejornal, que foi definida em sorteio e começo com Dilma Rousseff:
Dilma Rousseff
Durante a
entrevista, Dilma se mostrou nervosa e transmitiu um despreparo, assim como
Lula em 2006. A entrevista foi boa, questionadora e Dilma deixou claro alguns pontos. Poderia ter sido melhor se focasse menos em realizações e mais em projetos futuros, mas é sabido que essa é uma característica marcante de quem está no poder.
Dilma fez uma analogia infeliz ao comparar a administração das brigas no congresso com as brigas em família. Qualquer mãe com muitos filhos, e remeto à memória que tenho da minha infância para escrever esse parágrafo, sabe que ao lidar com a briga dos filhos basta colocá-los de castigo em cantos separados e após meia hora eles estarão brincando como se nada tivesse acontecido. Se for assim que a candidata petista pretende governar, é interessante rever esse conceito. Afinal, se ganhar, ela será a primeira mulher a governar o Brasil e isso terá um peso muito grande para ela, fazendo com que eventuais erros sejam criticados e levados para o lado do sexismo.
Por outro lado, se o esforço da campanha de Dilma é transformá-la em uma candidata mais feminina, deve ter em mente que uma "feminilidade exagerada" não cabe em uma candidata. Além disso, Dilma tem ainda uma fama de determinada e "durona", e quis transparecer outra coisa com inúmeros sorriso que não caíram bem. Precisamos de determinismos e simpatia. Mas tudo que é forçado fica exagerado.
Marina Silva
A candidata talvez tenha sido o grande destaque dessa série de entrevistas. Marina demonstrou ter uma clara filosofia de governo e saber que para governar o país é necessário mais do que criticar: é preciso mostrar o que tem de ser feito e o qual caminho deve se trilhar rumo a um desenvolvimento sustentável que engloba não só a natureza, mas a infraestrutura da população e o atendimento das necessidades básicas do brasileiro.
Marina teve uma boa desenvoltura na
entrevista, foi mais eloquente e deixou claro que, apesar de não ter apoio declarado de nenhum partido, pretende fazer um governo unindo forças com os demais partidos e com foco no desenvolvimento de elementos da infraestrutura do país. A proposta da candidata é interessante, pois apesar dos avanços sociais o país precisa de atenção em diversos pontos como a saúde. Assim como Dilma, foi provocada muitas vezes, mas foi enfática e direta na maioria das respostas. Mas, ao contrário da candidata do PT, mostrou uma feminilidade mais espontânea.
José Serra
O candidato José Serra se mostrou bem à vontade durante a sua
entrevista, não se alterando em nenhum momento assim como Marina Silva. As respostas foram dadas com calma e de forma paciente, contrariando a visão fechada que temos de Serra. Vale lembrar que esse é o foco de trabalho da equipe de campanha do candidato: torná-lo mais popular. Por causa desse esforço, ao tentar ser mais "simpático" aos olhos do povo, o candidato teve que ser interrompido nos trinta segundos finais, quando deveria dirigir uma mensagem aos seus eleitores, por divagar demais.
José Serra foi o segundo melhor, mas se embolou no tentar ser popular demais. Soou falso. Talvez ele precise ser um pouco mais direto e enfático e ter menos sentimentalismo. Sobre a questão das tarifas dos pedágios em São Paulo ele defendeu, mas não explicou. Serra precisa também propostas claras: durante a entrevista ele não deixou muito claro ter um plano de governo ou metas, como Marina fez. Ele se limitou a falar do que fez como ministro da saúde e só.
O candidato deu a entender ainda que seu governo será de continuidade, aproveitando o que está bom no atual governo, melhorando e criando coisas novas. Sabiamente (ou por aspectos de maturidade) ele não criticou Lula.
Plínio de Arruda Sampaio
Plínio de Arruda Sampaio, do PSOL, também foi
entrevistado, mas com direito a apenas 1/4 do tempo dos seus adversários: somente três minutos. Apesar disso, o candidato conseguiu ter uma excelente desenvoltura. Respondeu de forma clara às duas principais provocações feita pelo condutor, o repórter Tonico Ferreira: a questão da mudança de regime social e econômico do Brasil para que as mudanças propostas sejam efetivadas e o receio de desorganizar a dívida do país com as atitudes drásticas defendidas por ele. Parcialidade e teorias conspiratórias a parte, nesta entrevista o repórter pareceu pouco a vontade e sem paciência.
Conclusão
Após o ciclo de entrevistas, blogs petistas começaram a afirmar que o programa teria julgado a candidata ao fazer perguntas sobre questões ligadas ao Lula e ao PT. Entretanto, o papel do jornalista é questionar e se o mesmo não é feito em outras ocasiões, não é o foco de discussão desse texto. Além disso, tentar comparar o congresso nacional com uma família , como Dilma fez na sua entrevista, é algo que beira o ilógico: separar briga de irmãos é uma coisa. Separar briga por causa de diferenças partidárias é outra coisa. São assuntos distintos.
O Brasil precisa disso: continuidade e atenção aos cuidados básicos. Precisamos de melhoria em vários setores, inclusive na
saúde como discursa o candidato José Serra. Se a cada quatro anos um novo governante entrar e mudar tudo, nunca seremos um país realmente desenvolvido. Lula foi muito inteligente e sem dúvida o PT cresceu muito com a atitude de dar continuidade ao trabalho dos oito anos da era FHC. Serra parece querer seguir no mesmo rumo e a oposição faz chacota disso.
Mas, cabe lembrar que Lula criticava, às vezes até agressivamente, e quando entrou no poder seguiu o mesmo caminho que dizia ser errado e atribuía os resultados positivos ao seu esforço. Isso fez com que o seu antecessor afirmasse que ele
"cacarejava sobre ovos alheios" e na época
publiquei aqui no blog um texto sobre isso. Afinal, é mais justo deixar claro que vai dar continuidade que criticar dando a ideia de mudança radical, não mudar e atribuir os resultados positivos para si e culpar o que veio antes pelos erros.
Até o próximo post. Enquanto isso estou no Twitter:
@JonatasMobile. Até lá!