
Trote de calouros
Ontem foi dia de trote na Unisantos, universidade onde curso meu segundo ano de jornalismo. Como todo mundo sabe, primeiro dia de aula tem trote. E isso já é tradição em todas as universidades brasileiras. O que acontece aqui e ali é que algumas instituições proíbem esse tipo de manifestação, e algumas promovem o chamado "trote solidário", com arrecadação de alimentos e roupas que são doados para instituições de caridade.
No dia do trote "comum", digamos assim, todo mundo sabe que os chamados "bixos" são pintados, recebem farinha e ovos no cabelo e etc. Tudo em uma comemoração pelo fato do calouro ter ingressado na faculdade. Algumas pessoas enxergam isso como barbárie. É um direito delas. Outras gostam, e também é direito delas. Algumas até protestam contra, o que acho um pouco exagerado pois se todos resolvêssemos protestar contra tudo que nos ofende de algumas forma, teríamos uma "manifestaçãozinha" a cada esquina. E haja pneu para ser queimado!
É sabido que em muitos trotes alguns veteranos exageram na dose e forçam os bixos a coisas absurdas como beber combustível, rolar em fezes de animal e etc.,o que muitas vezes resulta em morte ou até internação e traumas. Esse fato não deve ser nunca desconsiderado pois brincar é uma coisa, humilhar é outra. E a proposta do trote que seria aplicado ontem era brincar!
Sabemos também que todo mundo tem a liberdade de escolher o quer para si. E sabemos mais ainda que nossas decisões devem ser tomadas e postas em prática por nós e que devemos colocar a cara e o peito para dizermos "não quero isso". Mas não foi bem assim que aconteceu ontem.
Durante o trote de jornalismo, que posso afirmar que foi super saudável, algumas calouras simplesmente protagonizaram a cena mais deplorável do jornalismo universitário brasileiro. Pode soar um pouco forte isso, mas somos orientados que a partir do momento que fizemos a matrícula no curso, já somos jornalistas e que devemos nos comportar como tal. Mas não foi o que aconteceu.
Um grupo de 5 calouras simplesmente se fechou na biblioteca e não deram margem de negociação. E o pior: usaram as funcionárias da universidade como babás! Acredito que elas deveriam zelar pela ordem dos livros e do local e não para 5 meninas que estavam em prantos pois teriam suas peles pintadas com guache colorido. Para mostrar o quanto os "veteranos" estavam respeitando os "calouros", um dos ingressantes está em processo pós operatório e pediu que "pegassem leve" com ele, principalmente na região da cirurgia. O pedido foi prontamente atendido.
E as 5 calouras, fugindo. Fugindo de um tubo de guache, um pouco de farinha de trigo e ovos. Querendo mobilizar a polícia para evitar que em sua testa fosse escrito o termo "JOR", que identifica o curso. E os funcionários da biblioteca servindo de seguranças e não deixando nenhum veterano entrar para negociar a "rendição dos bixos", termo carinhosamente criado para o evento.
E as 5 calouras, fugindo. Ligaram para os pais, e não sei como não tentaram pedir a intercessão do Papa Bento XVI, já que estudo em uma universidade católica. Oras, como jornalistas elas vão fazer o que? Se não conseguirem uma entrevista exclusiva, vão ligar pro pai ou para a mãe e choramingar? Ou vão ligar para a polícia e prender o entrevistado?
A regra básica é: não quer trote, não vai nos primeiros dias e ninguém vai te desrespeitar por isso. Mas se você for, saiba que vai ser "trotado".
Depois do evento de ontem, agora é esperar para ver se no ano que vem elas vão querer aplicar o trote. Afinal, tem uma outra regra básica: quem não recebe, não aplica, exceto aqueles que entram depois do prazo por fatores como vestibular para vagas remanescentes, entre tantos outros. Mas geralmente não é bem assim que acontece.
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No dia do trote "comum", digamos assim, todo mundo sabe que os chamados "bixos" são pintados, recebem farinha e ovos no cabelo e etc. Tudo em uma comemoração pelo fato do calouro ter ingressado na faculdade. Algumas pessoas enxergam isso como barbárie. É um direito delas. Outras gostam, e também é direito delas. Algumas até protestam contra, o que acho um pouco exagerado pois se todos resolvêssemos protestar contra tudo que nos ofende de algumas forma, teríamos uma "manifestaçãozinha" a cada esquina. E haja pneu para ser queimado!
É sabido que em muitos trotes alguns veteranos exageram na dose e forçam os bixos a coisas absurdas como beber combustível, rolar em fezes de animal e etc.,o que muitas vezes resulta em morte ou até internação e traumas. Esse fato não deve ser nunca desconsiderado pois brincar é uma coisa, humilhar é outra. E a proposta do trote que seria aplicado ontem era brincar!
Sabemos também que todo mundo tem a liberdade de escolher o quer para si. E sabemos mais ainda que nossas decisões devem ser tomadas e postas em prática por nós e que devemos colocar a cara e o peito para dizermos "não quero isso". Mas não foi bem assim que aconteceu ontem.
Durante o trote de jornalismo, que posso afirmar que foi super saudável, algumas calouras simplesmente protagonizaram a cena mais deplorável do jornalismo universitário brasileiro. Pode soar um pouco forte isso, mas somos orientados que a partir do momento que fizemos a matrícula no curso, já somos jornalistas e que devemos nos comportar como tal. Mas não foi o que aconteceu.
Um grupo de 5 calouras simplesmente se fechou na biblioteca e não deram margem de negociação. E o pior: usaram as funcionárias da universidade como babás! Acredito que elas deveriam zelar pela ordem dos livros e do local e não para 5 meninas que estavam em prantos pois teriam suas peles pintadas com guache colorido. Para mostrar o quanto os "veteranos" estavam respeitando os "calouros", um dos ingressantes está em processo pós operatório e pediu que "pegassem leve" com ele, principalmente na região da cirurgia. O pedido foi prontamente atendido.
E as 5 calouras, fugindo. Fugindo de um tubo de guache, um pouco de farinha de trigo e ovos. Querendo mobilizar a polícia para evitar que em sua testa fosse escrito o termo "JOR", que identifica o curso. E os funcionários da biblioteca servindo de seguranças e não deixando nenhum veterano entrar para negociar a "rendição dos bixos", termo carinhosamente criado para o evento.
E as 5 calouras, fugindo. Ligaram para os pais, e não sei como não tentaram pedir a intercessão do Papa Bento XVI, já que estudo em uma universidade católica. Oras, como jornalistas elas vão fazer o que? Se não conseguirem uma entrevista exclusiva, vão ligar pro pai ou para a mãe e choramingar? Ou vão ligar para a polícia e prender o entrevistado?
A regra básica é: não quer trote, não vai nos primeiros dias e ninguém vai te desrespeitar por isso. Mas se você for, saiba que vai ser "trotado".
Depois do evento de ontem, agora é esperar para ver se no ano que vem elas vão querer aplicar o trote. Afinal, tem uma outra regra básica: quem não recebe, não aplica, exceto aqueles que entram depois do prazo por fatores como vestibular para vagas remanescentes, entre tantos outros. Mas geralmente não é bem assim que acontece.
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