Publicado originalmente no Agência Facos de 07/03/2010
O Brasil tem hoje mais de 50 concursos com inscrições abertas, em um total de mais de 200 mil vagas disponíveis espalhadas por diversos órgãos em todas as regiões do país. Os salários podem chegar a até pouco mais de 18 mil reais. Mas todos esses funcionários só podem ser contratados até meados de 2010. Isso acontece porque esse é um ano eleitoral e de acordo com o artigo 73 da Lei 9504 de 1997, os agentes públicos não podem nomear, contratar, transferir ou até mesmo demitir sem justa causa nenhum servidor público em um prazo que se estende dos três meses que antecedem o pleito até a posse dos eleitos.
Por causa disso, muitas provas estão sendo realizadas e marcadas para o primeiro semestre, na esperança de que a contratação seja realizada ainda esse ano. Caso contrário a espera pode prolongar até o ano que vem, quando tomam posses os candidatos que serão eleitos em outubro. Toda essa oferta de vagas e salários promove uma verdadeira corrida para ocupar um cargo público e as escolas preparatórias se espalham, com cursos que muitas vezes antecedem até mesmo o anúncio da realização da prova.
“A preparação antecipada é uma boa opção, pois o aluno tem mais tempo de estudar. Os editais são quase sempre iguais e variam muito pouco”, afirma Renan Casagrande, auxiliar de ensino em uma escola preparatória para concursos da Baixada Santista. Ele afirma ainda que a dificuldade de arrumar um trabalho nas empresas privadas aumentou a demanda por uma vaga pública. “No emprego público o funcionário tem estabilidade e em alguns cargos como juiz de direito, por exemplo, existe a vitaliciedade, na qual o funcionário se aposenta e continua sendo juiz de direito”.
Além disso, a demissão no setor público é mais difícil. Para isso acontecer, há a necessidade de se mover um processo administrativo que pode demorar até dois anos e a recontratação exige um novo concurso público que além de caro é demorado. “Por causa disso muitos optam por mudar um funcionário público de setor ao invés de demiti-lo e ficar sem ninguém e sem possibilidade de contratar”, acrescenta Casagrande.
Muitas pessoas sonham em seguir carreira pública e se esforçam para isso. É o caso de Fabíola Oliveira que já é funcionária da Prefeitura de Santos e agora quer ser aprovada no concurso para Técnico Bancário da Caixa Econômica Federal. “Esse nunca foi meu sonho, mas acabou se tornando uma opção quando me vi desempregada. Nunca tinha prestado e no primeiro que tentei eu consegui passar e fui contratada.”, afirma.
A dona de casa Lilian Yamada também deseja passar no concurso da Caixa Econômica. Ela já prestou o concurso do Banco Central, mas não passou e diz que além da estabilidade também se preocupa com os benefícios. “No emprego público tem seguro saúde, aposentadoria boa e muitas vezes podemos estender esses benefícios aos familiares. Por isso muitas pessoas prestam concurso”.
Lilian aponta também que os concursos estão cada vez mais concorridos e que isso é benéfico para todos: “as pessoas entram porque estudaram bastante e por causa desse esforço elas se comprometem em ser bons funcionários. Assim o nível do serviço melhora por causa da concorrência acirrada”.
Tanto Fabíola quanto Lilian tem uma rotina de estudos intensa: as duas levantam às cinco horas da manhã para estudar, além de usar os fins de semana para ler e reler tudo que viram durante a semana no curso. “Tem que estudar, ter dedicação e foco. E deixar um pouco do lazer de lado. Não dá para contar apenas com a sorte e fazer a prova ‘chutando’. Assim fica bem mais difícil conseguir”, finaliza Fabíola.
Até o próximo post e, enquanto isso, estou no Twitter:
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